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domingo, 12 de dezembro de 2010

2010: Cabo Verde - A Felicidade também mora por aqui - Testemunho real 2: A escola

De seguida encontra-se um testemunho real de uma professora, agora em Cabo Verde,  como contribuição para a iniciativa solidária para Cabo Verde em curso na ESPAV.
Escola Secundária Pe. Moniz
     Sei que alguns de vós já estranharam que eu ainda não tivesse falado sobre a Escola...pois é, as primeiras semanas foram para a "adaptação" a uma realidade muito nova e estive à espera do momento que me pareceu mais adequado...
   Mas, como vim para uma Escola que tem história... aqui fica...
ESCOLA SECUNDÁRIA “PADRE MONIZ”
BREVE HISTORIAL
1977 - Fundação da Escola como Curso de Explicações para o 1º e 2º Anos do ex-Ciclo Preparatório;            
1989 - Morte do Fundador, o Padre João Eduardo Moniz, Espiritano, de nacionalidade Açoriana;
   *Neste ano, as irmãs do Sagrado Coração de Maria, trabalhando na Paróquia de S. Miguel Arcanjo, dão uma colaboração directa no funcionamento interno da escola;
1990 - Início das primeiras turmas do 1º Ano do Curso Geral dos Liceus;
   *Adopção do dia 17 de Abril dia do falecimento do Pe. Moniz como dia da Escola;
1991 - Autorização da prestação de provas de exame do 2º Ano do Ciclo Preparatório por parte dos alunos da escola nas mesmas condições que os de Ensino Público;
1996 - Reconhecimento oficial por parte do Ministério da Educação da avaliação feita na Escola;
1999 -  Início da construção da Cantina escolar e das casas de banho com o apoio da Câmara Municipal de S. Miguel, do INERF e de amigos de Portugal;
2000 -  Inauguração da Cantina e Salas de Banho;
2000 - Publicação do Regulamento Interno da Escola;
2001 - Autorização Oficial  para abertura de duas áreas do 3º Ciclo do Ensino Secundário;
   *Abertura de uma Turma do 11º Ano Área Económico Social;
2002 - Constituição de uma nova equipa Directiva. Fim do contracto com as Irmãs do Coração de Maria;
2002/3 - Celebração dos 25 anos de fundação da Escola;
2004 – Passagem dos alunos para o Liceu público e regresso aos alunos fora do sistema. Fim da parceria directa com o Ministério da Educação;
2005 – Condecoração com a medalha de mérito pelo Governo enquadrado nos 30 anos da independência de Cabo Verde;
2006 – Abertura de todas as áreas no 3º Ciclo;
2007 – Constituição de parcerias com algumas Escolas de Portugal e ONGs.
2010 – 19/10 Cheguei a esta Escola para dar aulas durante um ano lectivo (estou de Licença sem Vencimento).
FIM

2010: Cabo Verde - A Felicidade também mora por aqui - Testemunho real 1: Dois meses em Cabo Verde

De seguida encontra-se um testemunho real de uma professora, agora em Cabo Verde,  como contribuição para a iniciativa solidária para Cabo Verde em curso na ESPAV
Só vos posso dizer que o tempo VOA! Já faz hoje dois meses que aterrei na Ilha de Santiago, em Cabo Verde!
Dois meses que trouxeram, em cada dia, a novidade do encontro com uma realidade geográfica, climatérica, humana e cristã, bem diferente da que eu sempre vivi…
Dois meses de aprendizagens
Somos um todo e, por isso, os meus CINCO SENTIDOS têm vivido em constante processo de adaptação, vejamos:
·         A visão – foi o primeiro sentido a precisar de se adaptar…logo na noite em que cheguei, logo que vi, pela primeira vez, a “cidade” da Calheta de S. Miguel; logo que vislumbrei as inúmeras casas inacabadas, a ausência de tinta e de cor, a sujidade que as envolve; os animais que as rodeiam (porcos de quase todas as cores… muitos porcos, em todos os lados…); as pessoas que permanecem sentadas e deitadas nos umbrais das portas, nas janelas, nos muros ou nas beiras das estradas, completamente inactivas, durante todo o dia; crianças, muitas crianças…em todo o lado, bem vestidas, vestidas, nuas… e/ou simplesmente entregues a elas próprias… as meninas, que não brincam com bonecas porque até aos doze, treze anos, cuidam dos irmãos mais pequenos e, depois dessa idade, têm um filho nos braços para cuidar (???); os rostos, os olhos, as mãos e os pés, tão expressivos, de algumas pessoas que connosco se cruzam e trazem em si a história e a cultura deste povo… as paisagens magníficas, ainda verdes, que nos enchem a alma de júbilo e o olhar de alegria…
·         A audição – acabou o silêncio! Aqui, desde madrugada, os galos cantam (e são muitos), os pássaros chilreiam, os burros zurram, ouvem-se os porcos… os mosquitos…, as moscas…, os grilos…, as pessoas que falam, choram os mortos ou cantam; são raros os momentos de silêncio… quase sempre há barulho e, muitas vezes, durante a celebração da Eucaristia, no exterior da capela ou através dos buracos do telhado, toda a criação se une em acção de graças… e, cada um, louva o Criador como consegue!
·         O olfacto – depende do local, da hora do dia, da temperatura, da companhia, da existência de água ou da ausência da mesma, aquilo a que estamos sujeitos… e varia entre tolerável, impossível e…completamente impossível!!!
·         O gosto – Cá em casa, graças a Deus, “é cinco estrelas”…parece-me que escolhi o melhor local desta “cidade” para viver! Mas aí pelos arredores nem queiram saber…tendo em conta o aspecto da comida que se vê a vender à beira da estrada, só de imaginar…!
·         O tacto – tantas sensações novas… tantas coisas a que é preciso “deitar a mão” e aprender a acolher e a conhecer…
Hei-de explicar-vos algumas destas coisas que hoje talvez sejam um pouco incompreensíveis…
Hoje, só quero acrescentar, que cada um dos meus sentidos vive em acção de graças, por aquilo que me é dado viver aqui, pela família e pelos amigos que nos acompanham, e pela oração de toda a Igreja que nos sustenta e mantém nos momentos mais exigentes e nos mais fáceis…

O texto foi escrito ontem, dia 10/12, mas a internet não colaborou e, por isso, só agora é que fica disponível.